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Reservamos esse espaço para colocar um pouco de tudo que gostamos.
Textos e idéias que achamos que vale a pena….
 
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Um pouco do NADA.

AS TRÊS PALAVRAS MAIS ESTRANHAS

Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.

Wislawa Szymborska

O tema desde ano é o SONHO, tanto o sonho vivido quanto o sonho sonhado. Nós que sonhavamos tanto.

“Tu que estás cansado do real. Aperta na mão as pérolas escorregadias dos sonhos.

Borda com elas, um cobertor brilhante para tua alma regelada.”

Mihaly Babits (1883-1941)

Texto usado na introdução da peça Queixo-me Mudo pois Escuta-me surdo – ensaio sobre o NADA.

 

Em cada 100 pessoas.

Aquelas que sempre sabem mais, 52.

Inseguras de cada passo, quase todo o resto.

Prontas para ajudar, desde que não demore muito, 49.

Sempre boas, porque não podem ser de outra maneira, 4.  Bem, talves 5.

Capazes de admirar, sem invejar, 18.

Levadas ao erro pela juventude, que passa…70.

Aqueles com que é melhor não se meter, 44.

Vivem com medo constante de alguma coisa ou de alguém, 77.

Capazes de felicidade, 20 e alguns, no máximo.

Inofensivos sozinhos, selvagens em multidões, mais da metade por certo.

Cruéis, quando forçados pelas circunstâncias. É melhor não saber nem aproximadamente.

Peritos em prever, não muito mais que os peritos em adivinhar, levam da vida nada além de coisas.

30. Mas eu gostaria de estar errada.

Dobrados de dor, sem uma lanterna na escuridão, 83. Mais cedo ou mais tarde.

Aqueles que são justos, uns 35. Mas se for dificil de entender, 3.

Dignos de simpatia, 99.

Mortais, 100 em 100, um número que não tem variado.

Wislawa Szymborska

Este texto foi abertura da nossa peça Dizem que sou Louco. Poesia de Pablo Neruda recitada no filme Ponto de Mutação

O que uma lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados?

O que uma lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados?
Respondo que o oceano sabe.
Por quem a medusa espera em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu.
Quem as algas apertam em teus braços?,
perguntas mais firme que uma hora e um mar certos.
Eu sei perguntas sobre a presa branca do narval e eu respondo contando como o unicórnio do mar, arpado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei-pescador que vibram nas puras primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável, pura; e o tempo, entre uvas cor de sangue tornou a pedra lisa encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou seus fios musicais de uma cornicópia feita de infinita madrepérola.
Sou só uma rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho como tu, investigando as estrelas sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe dentro do vento.

Pablo Neruda

Para começar segue um texto que usamos na nossa primeira peça !

A Valsa
Casimiro de Abreu

Tu, ontem, na dança que cansa,
Voavas co’as faces em rosas formosas
de vivo, lascivo carmim;
Na valsa tão falsa, corrias, fugias,
ardente, contente, tranqüila, serena,
sem pena de mim!

Quem dera que sintas as dores de amores
que louco senti!
Quem dera que sintas!…
Não negues, não mintas…
Eu vi!…

Valsavas:
Teus belos cabelos, já soltos, revoltos,
saltavam, voavam, brincavam no colo que é
meu.
E os olhos escuros tão puros, os olhos
perjuros
volvias, tremias, sorrias, p’ra outro,
Não eu!

Quem dera que sintas as dores de amores
que louco senti!
Quem dera que sintas!…
Não negues, não mintas…
Eu vi!…

Meu Deus!
Eras bela donzela, valsando,
Sorrindo, fugindo, qual silfo
risonho que em sonho nos vem!

Mas esse sorriso tão liso que tinhas
nos lábios de rosa formosa, tu davas,
Mandavas A quem ?!

Quem dera que sintas as dores de amores
que louco senti!
Quem dera que sintas!…
Não negues, não mintas,.. Eu vi!…

Calado, Sózinho, Mesquinho,
Em zelos ardendo, eu vi-te correndo.
Tão falsa na valsa veloz!
Eu triste vi tudo!

Mas mudo não tive nas galas das salas,
Nem falas, nem cantos, nem prantos,
Nem voz!

Quem dera que sintas as dores de amores
que louco Senti!
Quem dera Que sintas!…
Não negues, não mintas…
Eu vi!

Na valsa cansaste, f icaste prostrada.
Turbada, pensavas, cismavas,
e estavas tão pálida então.
qual pálida Rosa Mimosa,
No vale do vento cruento,
Batida, caída sem vida.
No chão!

Quem dera que sintas as dores
de amores que louco senti!
Quem dera que sintas!…
Não negues, não mintas…
Eu vi!